30 de agosto de 2012

Voto de cajado? Somos rebanho de Cristo, e não gado dos “líderes”


O "novo" assunto em pauta no meio "evangélico interneteiro brasileiro" é a campanha "Fale contra o voto de cajado", criada pela Rede Fale com o objetivo de conscientizar a população evangélica sobre a manipulação eleitoral que, em muitas vezes, acontece dentro das igrejas, usando a figura do pastor (ou outro líder) como atestado de honestidade e competência para candidatos.


- O papel dessa campanha é qualificar a participação da igreja evangélica na vida pública brasileira que hoje tem a imagem chagada por tantos escândalos que envergonham o testemunho cristão em nosso país, ocasionado pelo mau uso da influência de alguns líderes religiosos - afirma o secretário nacional de mobilização do Fale, Caio Marçal.

Mas esse tema não é novo. Claro que devemos sempre nos lembrar desse conceito e não nos deixar manipular por supostos líderes, mas esse tipo de atitude não começou agora. Essa campanha me lembrou de um texto que publiquei aqui a exatos 4 anos e 8 dias, intitulado "Igreja ou Curral Eleitoral?", no qual falei de como a igreja é tratada por muitos como mero curral eleitoral.

E como "nada há de novo debaixo do sol", reproduzo abaixo o exato texto que escrevi a 4 anos atras sobre o tema:




Somos rebanho de Cristo, e não gado dos “líderes”.


De acordo com uma definição encontrada no Dicionário Brasileiro da Corrupção, curral eleitoral é:


“Recinto destinado, nas cidades, a hospedar, alimentar e recrear o eleitorado do campo, trazido por facções políticas. Nesses alojamentos, os eleitores são mantidos incomunicáveis, até a hora da votação quanda saia levando a cédula que colocaria no envelope recebido na mesa eleitoral.”




Denúncia ao voto de cabresto

(charge de Storni, revista Careta Rio de Janeiro, 1927)

Na época em que foi adotado o federalismo do Brasil, uma figura que ficou muito importante na política nacional foi o “coronel”. Resumindo o significado desse título na época, coronéis eram grandes fazendeiros que tinham seu poder medido pelo número de votos de cabresto que conseguiam assegurar para os políticos em troca de favores e manutenção de seu poder sobre determinada parcela da população.

Talvez você esteja se perguntando: o que isso tem a ver com a Igreja hoje? Eu respondo: TUDO.

Estamos em pleno ano eleitoral; e a poucos meses do pleito vemos proliferar um sem número de candidatos que fazem questão de gritar aos quatro cantos que pertencem a igreja tal ou pior: aqueles que se utilizam de seus títulos dentro das igrejas para influenciar o voto e até mesmo tentar impor sua candidatura sobre a igreja. Tentando transformar os membros de “suas” igrejas em verdadeiros correligionários de suas convicções políticas.

O que mais me assusta nesse cenário é que geralmente estes candidatos são pastores, que acabam se utilizando do título eclesiástico como forma de coagir o povo a dar seu voto.

Fazendo uso de jargões como “Crente vota em crente”, e "não vote em ímpio" ou oferecendo favores e uma falsa representatividade política para a igreja, esses oportunistas acabam tendo como único argumento para sua candidatura, o fato de serem evangélicos. Parecem querer passar ao povo uma idéia de que por terem aceitado a Cristo eles se tornaram, como que por milagre, aptos para a política. Se escondem atrás do título para que os eleitores não vejam que na verdade tais candidatos não tem sequer uma plataforma de trabalho, pois muitas vezes atrás da capa de crente não existe sequer uma proposta decente para apresentar aos cidadãos. E não me venham com essa de estarem querendo “defender os interesses do povo de Deus em meio aos ímpios da política”, porque não engulo essa desculpa.

Alguns desses candidatos parecem estar querendo derrubar a laicidade do estado e restabelecer a Teocracia ou quem sabe até mesmo a Clerocracia. Espero sinceramente estar errado quanto à real intenção destes candidatos, pois todos já conhecem historicamente o resultado do domínio político por um segmento religioso.

Absolutamente que não sou contra a participação dos evangélicos na política, até acho bom que pessoas com real compromisso com a palavra de Deus assumam tal responsabilidade. Mas, desde que pautadas em trabalho sério, propostas coerentes e real preocupação com a sociedade como um todo, e não apenas a defesa do “nicho” evangélico. Pois é ridículo e desrespeitoso querer impor sobre a toda sociedade a vontade de alguns.

Certamente que existem crentes sérios em meio à política. Mas estes não precisam de títulos para tal. Estes homens e mulheres realmente compromissados com o bem estar social não precisam se esconder atrás de denominações e de uma máscara de crente, pois suas atitudes falam por si mesmas.

Aos candidatos/crentes:
Quero ver propostas sérias, trabalho e conteúdo. E não apenas Pastor Fulano de Tal para isso ou para aquilo. Me mostrem o que querem fazer de verdade, e talvez conquistem meu voto. Pois não voto em títulos e sim em pessoas.

E façam um grande favor a todos:
Não transformem púlpitos em palanques de campanha, pois o próprio Jesus disse em Mt 21:13:
“Está escrito: A minha casa será casa de oração”

Não sejam vocês os novos mercadores do templo.

Em busca do uso da inteligência no meio da Igreja,
Martins


E acrescento hoje a esse texto escrito por mim quanto tinha ainda menos habilidade com as letras, a vergonha dos candidatos que nem mais se dão o trabalho de se declararem crentes, mas apenas se valem da "bênção" de pastores apóstolos(?) e outros pseudo líderes que tratam a igreja como feudo.

Um comentário:

  1. Muito bom Dan.
    Estou cansado desse tipo de voto de cabresto. Se os lideres querem falar de politica, falamos, mas só não tente me induzir a votar no candidato da igreja. Pois, isso me dá nojo.

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