7 de junho de 2011

Você, seu Código Moral, o Amor e o Sexo


Em um trecho de um dos livros que estou lendo (A Revolta de Atlas de Ayn Rand) encontrei um discurso sobre a relação entre o sexo e o código moral de uma pessoa. O livro, escrito por uma das maiores filósofas do último século, trata de uma sociedade que está em ruínas por causa da hipocrisia de seus líderes. E como trata de uma visão social, hora ou outra a sexualidade das pessoas é colocada em pauta. Não pretendo explicar exatamente o contexto da conversa que levou a esse discurso para não dar Spoiler do livro, mas é basicamente uma comparação das ações de um homem com o código moral que ele segue.


"... Se o senhor tentasse condenar o sexo como um mal, continuaria a encontrá-lo em si próprio, contra a sua vontade, agindo com base na premissa moral correta. O senhor seria atraído pela mulher mais elevada que conhecesse. Sempre iria querer uma heroína. Seria incapaz de desprezar a si próprio. Seria incapaz de acreditar que a existência é um mal e que o senhor é uma criatura indefesa, presa num universo absurdo. O senhor é o homem que passou toda a sua vida dando à matéria a forma do objetivo em sua mente. É o homem que saberia que, do mesmo modo que uma ideia não expressa em termos de atos físicos é uma hipocrisia desprezível, assim também é o amor platônico – e, do mesmo modo que a ação física que não é orientada por uma ideia é uma tolice e uma fraude, assim também o é a sexualidade quando desvinculada de um código de valores do indivíduo. É a mesma questão, é claro que o senhor sabe, visto que seu amor-próprio está intacto. O senhor seria incapaz de sentir desejo por uma mulher que desprezasse. Apenas o homem que louva a pureza de um amor desprovido de desejo é capaz da depravação de desejar sem amar. Porém observe que a maioria das pessoas é uma criatura partida em duas, que vive pulando desesperadamente de um polo para o outro. Um dos tipos é o homem que despreza o dinheiro, as fábricas, os arranha-céus e seu próprio corpo. Ele manifesta emoções indefinidas a respeito de questões inconcebíveis, tais como o sentido da vida e sua suposta virtude. E geme de desespero porque não consegue sentir nada pelas mulheres que respeita, porém sente-se aprisionado por uma paixão irresistível dirigida a uma vagabunda que encontrou na sarjeta. Ele é o homem que as pessoas chamam de idealista. Compreende?
O outro é o que chamam de prático, que despreza os princípios, as abstrações, a arte, a filosofia e a própria mente. Ele tem como único objetivo na vida a aquisição de objetos matérias e ri quando lhe falam da necessidade de considerar seu objetivo ou sua fonte. Ele acha que tais coisas devem lhe proporcionar prazer e não entende por que quanto mais acumula, menos prazer sente. Esse é que é o homem que vive correndo atrás de mulheres. Observe a tripla fraude que comete contra si próprio. Ele não reconhece sua necessidade de amor próprio, pois ri do conceito de valor moral. No entanto, sente um profundo desprezo por si próprio que caracteriza aqueles que acham que não passam de um pedaço de carne. Ainda que não admita, ele sabe que o sexo é a manifestação física de um tributo aos valores pessoais. Assim, ele tenta, realizando os gestos que constituem o efeito, adquirir o que deveria ser a causa. Ele tenta afirmar se próprio valor por intermédio das mulheres que se entregam a ele e esquece que as mulheres que escolhe não têm nem caráter, nem julgamento, nem padrão de valores. Ele diz a si próprio que tudo o que quer é o prazer físico, porém observe que ele se cansa de uma mulher em uma semana ou uma noite, que despreza as prostitutas profissionais adora imaginar que está seduzindo moças direitas que abrem uma tremenda exceção para ele. É a sensação de realização que ele busca e jamais encontra. Que glória pode haver em conquistar um corpo desprovido de mente? Pois esse é o homem que vive correndo atrás de mulheres..."

Não vou tentar encaixar essas falas com a vida cristã, porque o que o texto relata é o comportamento humano, independente de religiões. Todos nós temos nossas ações regidas por um código moral, seja ele explicito ou implícito em nossas vidas, e esse texto fala um pouco de como nossas ações escancaram para nós mesmos e para o mundo qual código moral seguimos em nossas vidas e como esse código moral pode ser um retrato de nossos valores ou um espelho de nossas deficiências morais e sociais. Vivemos numa sociedade hedonista, onde a satisfação física recebe um status de grande importância e, com isso, fechamos os olhos para o quanto nossas ações falam de nós sem que nós percebamos. E mais importante que tudo, explicita o quanto precisamos aprender a viver um código de valores muito mais elevado do que o que temos vivido, mas ignoramos que só Deus tem esse código de conduta para emprestar para nossas vidas.

 
Martins

5 comentários:

  1. Fala parceiro!
    Está ai um livro que vale a pena ser lido, muito bacana!

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  2. Cara,
    Esse é um livro que fala sobre tudo, ele tem como tema central a política, economia e a vida em sociedade, mas para abordar isso ela fala de todos os aspectos do ser humano. Simplesmente fantástico.

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  3. Muito interessane e delicado esse tema..
    parabens pelo blog...

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  4. Ralmente falar de moralidade quando se esta virando quase lei ser imoral(rs) só o povo de Deus pra brigar pelos valores novamente.

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  5. TecnoGolpel,
    Obrigado pelo elogio.

    Banda MEGAVIT,
    Relamene estamos vivendo em tempos difíceis, em que o imoral e o amoral estão tomando conta da sociedade.

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