29 de maio de 2011

Porque somos tão fanáticos?



Quando vi a chamada pra uma blogagem coletiva do @O_Cristiano, lá do blog Crentassos, sobre coisas que a humanidade insiste em não abandonar, eu não consegui pensar em nada a não ser o fanatismo. E como o desafio é bacana e o tema pertinente...


..."vamo" falar desse negócio.

Quando falamos, ou ouvimos falar, de fanatismo a primeira coisa que nos vêm à cabeça é a imensa lista de burradas feitas pelos religiosos de todos os tipos em defesa da sua fé. Temos de homens bomba a cavaleiros das cruzadas, de sequestro de aviões a inquisição. Mas o fanatismo não nasceu com os movimentos religiosos, esse apego irracional a uma idéia ou ideal ultrapassa os pequenos limites do âmbito religioso, porque é algo que parece estar gravado no caráter coletivo da humanidade e apenas alguns afortunados conseguem suprimir isso de suas vidas.



O fanatismo persegue a humanidade desde sempre. Mas nesse exato momento da história tenho certeza que a coisa tomou um rumo ainda pior, sob a chancela da liberdade e com a facilidade da internet mergulhamos em um mundo de extremos. Todos defendem suas idéias a ferro e fogo e qualquer coisa vira bandeira de militância. Religiões, times de futebol, política, e até bandas de música normalmente muito ruins e coloridas; tudo é motivo de orgulho extremo, e tudo é motivo de "xingar muito no twitter".




O apego ao fanatismo nos faz pensar que nossas opiniões são absolutas, nada mais está aberto ao diálogo, ninguém pode contrariar nossas idéias. A violência física deu espaço pra ignorância verbal e a intolerância começa a adquirir os divertidos contornos da trolagem. E temos também na mesa do fanatismo, os paladinos da hipocrisia, que se acham os últimos baluartes das verdades absolutas da humanidade e por tal título fantasioso se acham no direito de julgar a tudo e a todos. E esses chatos monumentais, carregando a bandeira do politicamente correto, estão transformando o mundo em um lugar ainda mais insuportável para viver, pois qualquer opinião fora do script é uma grave ofensa que dever ser, não respondida, mas vingada a qualquer custo.

E a coisa toda se torna mais triste, quando essa militância desenfreada por qualquer idéia (parafraseando o padre João, de Suassuna) "atravessa os umbrais da casa do Senhor". Qualquer opinião fora do nosso quadrado é chamada de heresia, não é permitido discordar da grande massa que na verdade não pensa nada, ficou muito fácil para nós criarmos rótulos para aqueles que discordam de nós, e criamos uma facilidade imensa de apontar quem vai pro céu ou pro inferno. Não aceitamos os irmãos que tem opiniões diferentes e demonizamos os que, aos nossos olhos, não são dignos de chamarmos de irmãos.

E o pior de tudo é que a sutileza desse fanatismo moderno nos cega para nossos preconceitos e intolerâncias e faz o que de pior pode acontecer a um cristão: nos afasta das pessoas que não são da mesma turminha que nós e, por consequência, afasta essas pessoas desse emaranhado de pessoas diferentes que deveríamos chamar de Igreja.

Acredito que o fanatismo nasce em nós quando deixamos se apossar de nós a preguiça de nos colocarmos no lugar do outro, quando deixamos de lado o grande mandamento do amor e passamos a olhar firmemente pra nossos próprios umbigos.

E com isso pergunto: o que ganhamos ao sermos tão fanáticos? E principalmente, o que produzimos pro Reino ao sermos assim?

Escrevendo com um peso no coração,
Martins

2 comentários:

  1. Existe aquilo que consideramos ser errado e/ou certo. É importante definirmos o que é negociável e o que é inegociável. O fanatismo nos impede de ver que o "emaranhado de pessoas diferentes que deveríamos chamar de Igreja". Somos membros do mesmo Corpo; se algum membro morre, todo o Corpo perde em vitalidade.

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  2. O grande problema nem é o que consideramos ou não negociável, mas quando nem ouvimos o outro.

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