11 de setembro de 2009

Eu, um herege de alma velha.


Um dos primeiros assuntos do qual falei nesse blog foi música. E esse é um assunto que jamais se esgota devido a imaturidade cultural de muitos. Não quero aqui me apresentar como um grande detentor de conhecimeto cultural, até porque ainda não vivi o bastante para tal.

Mas isso não me impede de falar sobre o empobrecimento cultural dessa geração que como falei no Twitter quer colocar no mesmo balaio Cartola e MC Créu.

E o pior é que essa imaturidade cultural vem se transformando em imbecilidade teológica.

Não pretendo falar diretamente sobre o funk, assunto tão em voga nesses dias. Sobre esse assunto a Ruth de Aquino já escreveu com maestria.

Quero apenas falar um pouco sobre os rótulos com que tentam o tempo todo nos limitar e manipular.

Tem algumas frases que ouço com bastante frequência quando as pessoas se deparam com o tipo de música que costumo ouvir.
Algumas costumam vir dos "irmãos", crentes, cuja única opinão que possuem sobre tudo é aquela que adquiriram por osmose televisiva dos ditos líderes evangélicos. Destes costumo ouvir coisas do tipo:

"Mas isso é música de crente?"

"Essa aí vai tocar no louvor domingo?"

Para esses tenho a dizer que, para mim, música só se divide em dois grupos: boa e ruim.

Prefiro a sabedoria e poesia de Cartola:
"Amanhã,
A tristeza vai transformar-se em alegria,
E o sol vai brilhar no céu de um novo dia,
Vamos sair pelas ruas, pelas ruas da cidade,
Peito aberto,
Cara ao sol da felicidade."

Do que muito do que é cantado por alguns "irmãos":
"O lango lango boca mole
Foi falar mal do pastor
Deus mandou fogo do céu
E a batatinha dele assou"

Já outros argumentam que eu costumo ouvir "música de velho". Com esses não adianta muito argumentar, não é muito produtivo falar sobre cultura com pessoas que só ouvem as musiquinhas que tocam no rádio e nos potentes auto-falantes automotivos. Aos caros apreciadores dos MC's e das "bandas de franja", devo dizer apenas que o que é bom não fica ultrapassado. É como disse certa vez um personagem de um dos seriados que assisto: "Você não diz que O Poderoso Chefão é um filme velho, você diz que é um clássico."

Há também que se dizer aos "antenados jovens" que recebo como um grande elogio o fato de ser chamado de velho pois, parafraseando o poeta, eu sinto saudades do que não vi. Saudades cega de um tempo em que música era poesia cantada, em que apologia a drogas e crimes era também um crime, um tempo em que insinuações e descrições de atos sexuais não eram vistos como cultura.


Mas espero que meus contemporâneos possam vir a entender melhor a beleza que é a arte verdadeira, pois como disse o poeta do samba:
"...sei que não é vã, a cor da esperança,
A esperança do amanhã."
Cartola


Um velho de 22 anos,
Martins

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13 comentários:

  1. Ótimo post, também me sinto uma velha desde os 20 também e agora que tenho 29 então anciã rs...mas é isso mesmo, você colocou muita coisa que eu me indigno sempre e entre o povo dito de Deus..é impossível entrar em um debate desse nível, eu não consigo mais (infelizmente) ouvir nenhuma rádio gopel, foi o tempo que se tocavam melodias lindas que emolduravam as letras que eram entoadas, sim belo tempo..mas ainda existem cantores que cantam músicas cristãs belas, não estão nas rádios, mas tenho meus cds que me fazem chorar de alegria e sentir saudades do tempo que já vivi e que ainda gostaria de viver...

    Graça e paz....

    Sarys

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  2. Sarys,
    Estamos no mesmo barco, as rádios gospel (e quase todas as seculares) me doem os ouvidos e a maioria dos artistas que ouço estão longe das grandes mídias.

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  3. Parabéns pelo belo trabalho realizado no blog.

    Já estou seguindo!

    Aproveito para lhe convidar a conhecer o meu blog, e se desejar segui-lo, será uma honra.

    Seus comentários também serão sempre bem-vindos.

    www.hermesfernandes.blogspot.com

    Espero que goste, pois é um trabalho feito com muito amor, para glória de Deus e para a edificação do Seu povo.

    Abraço Fraterno.

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  4. O mundo anda com olhos (e ouvidos) doentes para a beleza. A arte está aos pedaços.
    Ótimo blog. Retornarei.
    Amplexo.

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  5. Bom brother proponho aquela velha parceria.

    Topa?

    Abraço!

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  6. Parabéns pelo blog.

    Que o Senhor Deus prossiga abençoando este espaço.

    Se quiser conhecer a minha página, o endereço é www.alexmaltta.blogspot.com
    Evangelho da Graça

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  7. OLHA MEU AMIGO. CONCORDO PLENAMENTE COM O QUE VOCÊ DISSE EM COLOCAR NO MESMO BALAIO CARTOLA E MC ...(QUALQUER COISA)
    O EMPOBRECIMENTO CULTURAL É EVIDENTE, PRINCIPALMENTE PELO CAPITALISMO, TRANSFORAMANDO A ARTE EM INDÚSTRIA.
    MAS ME RESPONDA UMA COISA
    POR QUE QUE CRENTE FAZ MÚSICA SÓ SOBRE RELIGIÃO?
    A RELIGIÃO NÃO PODE ABORDAR OUTROS UNIVERSOS, OUTROS ASPECTOS?
    EU ACHO RIDÍCULO MÚSICA GOSPEL POR CAUSA DISSO. FALAR SÓ DE DEUS, ABRAM A CABEÇA DEUS É UMA COISINHA NANICA NO UNIVERSO.
    CHEGA DESSA DEMAGOGIA CARA...
    MUDEM O MUNDO, E NÃO REZEM OU CANTEM PRA QUE VENHA UM BARBUDO MUDAR...

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  8. Guilherme,
    Provavelmente você não leu otros textos aqui do blog e não percebeu que defendo essa mesma postura que você está falando. A religiosidade quando tratada da forma simplista com que os "gospel" a tratam não serve para nada. Ficar repetindo mantras religiosos é algo com que nunca concordei. A arte de ser usada para fazer de nós pessoas melhores e não para repedir bordões.

    Martins

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  9. "A boca fala do que o coração está cheio"
    Não posso falar por todos os que se dizem evangélicos. Mas se nosso coração estiver cheio da presença do Senhor, nossa vontade será exaltar e adorar, não cantar outros "temas"...

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  10. Guriah,
    Deus preencheu meu coração com amor, alegria, poesia, dor, tristeza, e uma infinidade de outros sentimentos. Enfim, o preencheu com a VIDA. E a vida com a qual Ele me preenche é cheia de sentimentos humanos, e não apenas palavras repetidas que as pessoas convencionaram chamar de "exaltaçao e adoração". Até porque, a adoração que dedico a Ele não pode ser resumida com meia dúzia de palavras e canções repetidas, eu adoro a Deus através da poesia da vida.
    Limitar nossas vidas à religião é negar a humanidade que Deus nos deu como presente. E é assim que eu adoro a Deus: sem negar os presentes que ele me dá.

    Abraço fraterno,
    Martins

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  11. Bem, um blog apimentado e ácido.
    De um irmão na fé. rsrsrsrsrs
    Irmão, fico feliz em ler tais palavras, do resgate da poesia nas músicas, sobre cartola, não posso opinar, mas sobre música gospel, acredito que muitas bandas melhoraram o estilo, ficando até melhor que muitas músicas seculares.
    O que me entristece, é querer agradar a todos os estilos musicais.
    Por exemplo, crente dançando na boquinha da garrafa, pois tem salmos incluso na letra.
    Graça e Paz!

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  12. Luciano,
    Concordo plenamente quanto a melhoria de muitas bandas, e mais que isso, temos inúmeros artistas de qualidade no meio cristão; como Jõao Alexandre, Jorge Camargo, Oficina G3, Fruto Sagrado e outros.
    Também não me agrada muito essas paródias de músicas "seculares" (em particular o funk), não tenho nada contra a música não cristã, inclusive ouço e indico muita coisa, o que não dá certo é tentar louvar a Deus enquando se rebola ouvindo um "batidão".

    Martins

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