17 de fevereiro de 2009

Estórias de um crente


Antes de começa a ler, dê o play Muros

Um certo homem começou a frequentar a igreja a convite de um amigo. Em meio a tantas promessas de vitórias e bênçãos, ele "aceita Jesus". Seu pensamento é de que sua vida agora vai ser melhor, afinal ele é um salvo. Compra uma grande Bíblia para levar à igreja, e não falta a um culto sequer.

Hoje ele começou a frequentar a escola bíblica dominical. Começaram a lhe ensinar as regras de como ser crente. Algumas coisas o assustam um pouco, mas o disseram que devo obedecer o que a Bíblia diz. A primeira coisa que aprende é que não deve se assentar na roda dos escarnecedores.

Isso o deixou confuso no início, mas conforme foram explicando o que significava ele viu que precisaria fazer um enorme esforço pelo evangelho: teria de deixar de lado as pessoas com quem convivia até então, afinal não poderia mais estar assentado com os tais escarnecedores, e as pessoas com quem convivia normalmente não eram crentes.

Seria um grande sacrifício, mas lhe disseram que a Bíblia ensina que joio e trigo devem ser separados. Agora ele era um homem mais próximo da igreja. Mantém contato frequente apenas com uns poucos conhecidos também evangélicos. Com o afastamento das pessoas de seu antigo convívio ele agora passa todo o tempo possível em atividades da sua congregação. Passa a maior parte do tempo com seus novos irmãos e já começa a absorver seus costumes e doutrinas.

Nosso amigo anônimo agora vive praticamente em prol da sua congregação. Envolto nas doutrinas que aprendeu começou a afastar de si aqueles conhecidos que, mesmo evangélicos, seguiam linhas de pensamentos diferentes da sua. Começou a acreditar fielmente que sua denominação era a única que preservava a verdadeira fé dos evangélicos.

Dê o play Depois da guerra

Agora ele mergulha ainda mais em seu mundo e o fecha ainda mais. Começa a destrinchar as linhas de pensamento dentro de sua denominação e começa a ver muitos dos que outrora eram irmãos como hereges. Começa a ver perdidos dentro da casa de Deus. Ele se sente profundamente angustiado quando vê as pessoas em discordância com os líderes, será que essas pessoas não entendem que não se pode tocar no ungido do Senhor?

Agora ele já não compreende mais as pessoas que o rodeiam, todas aquelas regras e doutrinas que aprendeu começam a perder o sentido quando percebe que sua vida agora está pior do que quando estava no mundo, pois se sente só e incompreendido. Nada do que faz dá certo, problemas familiares o afligem dia a dia.

Chegou a pensar que pode ser perseguição do inimigo, mas não entende como o Deus poderia permitir tal aflição. Afinal ele era um dos membros mais frequentes nos cultos, participava de todas as campanhas, fazia todos os sacrifícios proféticos. Estaria ele em pecado? Deus o abandonara? Será que crentes também podem viver dessa maneira? Onde estavam todas aquelas promessas de bênçãos que ele ouvia todos os domingos? Seu pastor nunca havia dito que crentes também sofriam. Tudo o que ele ouviu em todo esse tempo na igreja foram as maravilhosas promessas para aqueles que seguias as regras.

Ninguém nunca o ensinou que o cristianismo não é um conjunto de regras e limitações ao seu modo de viver. Portanto ele nunca entendeu que cristianismo é muito mais que uma religião, que na verdade cristianismo não é religião. Cristianismo é relacionamento. Primeiramente relacionamento com Deus e, através da intimidade com o Pai um relacionamento melhor com nós mesmos e com as pessoas ao nosso redor.

Preso em muros que ele deixou que criassem ao seu redor, nunca conseguiu anunciar a mensagem do evangelho. Decepcionado com a igreja, sozinho e depressivo, ele é hoje facilmente encontrado nas sarjetas da cidade.


Martins

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16 comentários:

  1. .

    Graça e paz vos sejam multiplicadas, irmão Martins.

    Por um momento, me confundi com vosso texto, perplexo que o amado estava descrevendo parte de meu testemunho...

    Mas, graças ao nosso Bom Pastor, que hoje, livre por Jesus Cristo, tive as escamas dos meus olhos tiradas, e posso contemplar a beleza da santidade do Senhor, em nossas reuniões em adoração ao Senhor em nossos lares.

    Fraternalmente.

    James, presbítero.
    Jesus, o maior Amor
    ...
    ..
    .

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  2. Deus nos abençoe! Belo site, com mensagens edificantes!

    Francine - www.HEIRESS.zip.net

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  3. Nani, Francine,
    Obrigado.

    James,
    Essa é, infelizmente, a realidade de muitas pessoas dentro das igrejas evangélicas.

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  4. Vc escreveu minha vida no seu blog !?!?!?!
    Já passei por isso! Mas graças a Deus conheci a um Deus de verdade que me fez ver que não preciso de uma religião e sim dEle.

    Fica na Paz meu irmão!

    http://neriojunior.blogspot.com

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  5. Nério,
    É realmente estranha essa sensação... não é mesmo? Eu mesmo fiquei assustado quando terminei de escrever, porque o que era pra ser apenas ilustrativo (sem nenhuma pretensão de ser biográfico ou autobiográfico) acabou mostrando traços de minha trajetória e, pelo que vejo, da trajetória de muitas outras pessoas dentro do evangelho.
    Graças a Deus por termos nos libertado dessas muralhas, e oremos para que muitos outros se libertem.

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  6. Martins,
    eu tb a cada dia assino novos, mas periodicamente faço uma "limpeza".

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  7. Você ainda não conheceu o anônimo do texto acima, calma!

    Em breve você o verá. Basta olhar ao seu redor,lá na igreja que você frequenta existe alguém assim. Infelizmente...

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  8. As veses fico decepcionado de escutar os pastores, falar mais no inimigo do Crito (Sat....)do que em JESUS.
    O que vc acha?

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  9. É realmente muito triste ver pessoas vivendo um cristianismo baseado simplismente na opocisão a satanás e não em seguir Jesus. Creio que não é necessário ficar enfatizando o inimigo quando se está fundamentado realmente em cristo.

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  10. Ao ler esse texto pude ver claramente a minha vida.
    Desde muito cedo frequentei a igreja evangélica, sempre participei de todos os dogmas da igreja, muitas das vezes ia de segunda à segunda para oração e louvor durante a semana, era sempre muito ativo em vários ministérios.
    Sempre fiz tudo o que o pastor e os líderes me disseram, nunca havia desobedecido. Sempre dizimei (o dízimo de minha família sempre foi muito alto).
    Aos meus 17 anos me revoltei, pois havia perdido todos os meus amigos "do mundo", percebi que a igreja era a única coisa que me restava, porém as pregações eram sempre as mesmas, e era o pastor que ditava o que eu deveria ou não fazer. Acabei saindo da igreja por não concordar com muitas afirmações doutrinárias, fiquei sozinho, literalmente na sarjeta emocional, pois todos os que juraram amizade eterna dentro da igreja me abandonaram quando sai. Passei mal durante uma semana, não tinha mais ninguém a quem recorrer a não ser a minha própria família. Quando saí todos aqueles que eram meus amigos por mais de 7 anos me julgaram, os meus líderes me difamaram para toda a igreja, fiquei conhecido por coisas das quais nunca pratiquei.
    Hoje sou uma pessoa feliz, nada me prende. Nem igreja, nem religião alguma, não sou obrigado a orar a ninguém ou deixar de comer, ninguem me julga ou me olha torto por gostar de determinado tipo de música.
    Não sei se acredito em Deus mais também não sei se deixo de acreditar. Simplesmente vivo a minha vida a minha maneira e sou feliz assim. Acredite, eu sou feliz!
    Cansei de igreja, não pretendo voltar nunca mais, foco sempre na minha vida profissional. Penso somente em mim e em mim mesmo.
    Nada me atrapalha. Hoje tenho a minha semana livre para fazer o que eu quiser, principalmente os finais de semana!!
    Ah, hoje sim eu posso dizer que sou livre!
    livre de dogmas e ensinamentos alheios, hoje eu tenho o poder de escolha!
    Bebo minha cerveja sem ouvir condenação alguma!
    Saio nos fim de semanas sem dar satisfação dos lugares que frequentei!
    Aumnto o meu rádio sem me preocupar se alguém vai me condenar.
    Liberdade assim não se compra e nem se compara.
    Respeito todos os frequentadores de igreja seja ela qual for, todos tem o direito de se expressar, e eu estou apenas expressando o meu gozo pela liberdade!
    Ahh, isso sim que é vida!

    Vinicius

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  11. Vinícius,
    Você não foi o primeiro a se ver nessa estória. Mas infelizmente parece que você está seguindo o mesmo caminho que nosso personagem.
    O que você chama de liberdade é simplismente uma prisão a conceitos que também não são seus. Ao invés de buscar a real liberdade que Deus tem para te dar, você está escolhendo a libertinagem que o mundo te impõem
    Você fugiu das grades da religiosidade e foi parar direto na prisão do senso comum, para a prisão do conforto social. E isso está longe de ser liberdade.

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  12. Martins,
    A palavra liberdade para mim tem um significado totalmente diferente para você, também já era de se esperar, somos pessoas diferentes criadas em ambientes diferentes e com experiências diferenciadas.
    Não acredito que eu esteja na libertinagem, pois continuo praticando grande parte dos conselhos bíblicos (mesmo não estando de baixo de algum nome religioso), porém não vejo a necessidade de me vincular à alguma religião.
    Respeito a sua visão e a sua forma de avaliar a situação, porém ainda sim me considero uma pessoa livre.

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  13. Familiar! Esse fato se repete com muitas pessoas, eu mesma já passei por períodos de intensa dúvida e crise espiritual.Mas fui liberta do legalismo. Sem traumas, sigo o Mestre e busco na Palavra o Caminho a seguir.

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  14. Anônimo,
    Acho que você não leu o texto, se leu faltou nas aulas de interpretação.

    Miriã,
    Eu também já passei por vários momentos de dúvida. Inclusive, nesse momento da minha vida, estou vivendo profundas mudanças na forma de pensar. Pois mesmo com uma postura mente aberta que sempre tive estou percebendo que ainda vivo sob muito legalismo.
    Mas é como você disse: "Sem traumas, sigo o Mestre e busco na Palavra o Caminho a seguir."

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