3 de novembro de 2008

Quando sentimos Deus pela primeira vez


Algumas experiências marcam nossas vidas para sempre. Um dessas aconteceu comigo quando eu ainda era criança, mas só muito tempo depois é que pude entender.

Durante minha infância, viajávamos freqüentemente, eu e minha família, para a casa dos meus avós paternos. Eles moravam em uma fazenda antiga, dessas de pau-a-pique. Lembro-me que de longe se avistava aquela bela construção branca e verde, majestosamente erguida sobre um grande quintal coberto de areia, que outrora havia sido um curral.

Sob o sol aquele lugar foi o cenário de muitas de minhas alegrias pueris. Porém à noite, era para mim um lugar assombroso... Era como se toda a vida que alegrava aquele lugar durante do dia fosse engolida pela escuridão. E isso me amedrontava.

Aquele som alegre, produzido no piso de tábua corrida por nossos passos durante o dia se transformava em um ringir assustador após o por do sol. Eu me sentia como que estivesse sendo seguido por todos os lados que ia naquele lugar. Andar por aquela velha fazenda à noite foi um dos medos que marcou minha infância.

Porém em uma noite algo aconteceu. Meus avós paternos já professavam a fé cristã protestante nesses tempos. Vez ou outra, quando os estávamos visitando, íamos com eles aos cultos eu, minha irmã, e meus pais.

O culto daquela noite, se me lembro bem, aconteceu no grande quintal da casa de uma tia-avó. Para mim, nessa época, o culto era apenas um agrupamento de gente desconhecida gritando palavras desconexas e, por vezes, incompreensíveis; além de uma oportunidade para as crianças poderem brincar sob a lua, protegidos pela parca luz dos lampiões. Mas nada disso teve importância, tudo o que me lembro daquela noite é que aquele povo orou. Uma oração que, para mim, era apenas uma “reza” esquisita, uma reza bagunçada que me deixava sem entender como Deus poderia entender aquelas vozes todas juntas, sem que elas seguissem um compasso regular e ensaiado.

Mas Deus não se importou com minhas constatações infantis. Naquela noite fui preenchido por uma paz que durante muito tempo não entendi. Só quando conheci a Cristo, entendi que aquela paz que me tomou era a presença do Espírito Santo. Naqueles dias eu não soube ao certo o que aconteceu comigo, não me recordo das palavras proferidas naquela oração. Tudo o que aquela criança sabia é que não tinha mais medo. Depois daquela reunião, e nos dias que seguiram àquela minha estada na fazenda, a escuridão não me atemorizava mais, os sons do velho assoalho tinham em meio à escuridão a mesma graça que tinha sob a luz do dia. Eu não tinha mais medo, aquela reza dos crentes tinha feito algo comigo, e eu não tinha mais medo. E os dias seguintes daquela minha estada foram os melhores de muito tempo, pois era como se a noite estivesse preenchida de uma luz que eu não podia ver, mas sentir.

Ainda criança, eu não entendia o que era aquela luz que eu não via, mas sentia. Tudo o que sabia é que naquelas noites eu não tive medo.

Hoje também não tenho medo, mas sei que essa coragem não vem de mim, e sim de Cristo que me toma em suas mãos e me dá segurança em qualquer circunstância.


Seguro em Cristo,
Martins

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2 comentários:

  1. Graça e Paz Martins!

    Belo e edificante testemunho.
    Que Deus continue a firmar seus passos rumo à Nova Jerusalém.

    Abraços

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  2. Obrigado Junior,
    Sua presença aqui é sempre uma honra.

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