15 de outubro de 2008

O que a Bíblia nos fala acerca da pobreza?



Usando a Bíblia on line, encontrei a palavra pobre em 208 versículos, destes 39 no NT. Já a palavra pobreza aparece apenas 19 vezes na Bíblia, apenas 7 no NT.

Mas e daí?

Colocando os números de lado, porque estes são apenas um detalhe, o que a Bíblia nos ensina a respeito da pobreza e dos pobres? Qual a postura que nós, crentes em Jesus Cristo, devemos adotar em relação a essa realidade que bate em nossas caras todos os dias?

Quem é o pobre?

O conceito quantitativo de pobreza é dinâmico através da história. Se pegarmos como comparação um pobre da Idade Média e um podre dos dias atuais veremos grande diferênça. Porém o conceito fundamental para considerar alguém pobre é considerarmos como talaqueles que vivem com falta, ou carência, de recursos materiais necessários a uma vida sadia e digna. Ou seja, todas as pessoas que não possuem meios para se manter dignamente estão situadas abaixo do que se convencionou chamar linha de pobreza. E são essas as pessoas às quais devemos buscar ajudar.

Que postura estamos tendo a este respeito?

Atualmente a igreja vive um momento em que o assunto principal é a prosperidade. Vemos facilmente em milhares de púlpitos pregadores bradarem determinando prosperidade sobre a vida dos fiéis, todavia é cada dia mais raro ouvirmos falar da relação da igreja com os pobres.
É extremamente confortável sentarmos no banco da igreja enquanto um pastor, assim como um palestrante motivacional, nos ensina como fazer para usar um terno tão caro quanto o que ele ostenta e a dirigir um carro tão potente quanto o dele. É muito fácil assistirmos pela TV um pregador, que mais se assemelha a um animador de auditório, falando de vitória financeira e pagarmos centenas de reais em uma Bíblia com anotações de tal pregador sobre o tema.
Porém é incômodo ouvirmos o que aquele homem ouviu de jesus em Lucas 18:22: “vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me.”.
Nos maravilhamos ao ouvir profecias (ou profetadas) sobre nossa prosperidade, mas ficamos assustados ao pensar que precisamos dividi-la com alguém, afinal foi você que fez o “sacrifício profético” e não o mendigo da esquina.

Será que é melhor gastar milhões em concessões de TV do que investir esse dinheiro em causas socias?

Será que daríamos a um necessitado, sem esperar nada em troca, a mesma quantia que ofertamos aos pregadores da prosperidade sob a promessa de uma restituição divina de 1000 vezes mais?


A Igreja e o preconceito social

Antes de tocar no tesouro bolso das pessoas, vamos exercitar nossas consciências e refletir em como tratamos os pobres que convivem conosco, Tiago 2:

1 Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.
2 Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje,
3 E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado,
4 Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?
5 Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?
6 Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais?
7 Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?
8 Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
9 Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores.


Então o que fazer para ajudar?

A primeira coisa que vem à cabeça quando falamos de ajuda aos pobres é: esmola, cesta básica, etc. Porém isso é apenas superficial, resolve momentaneamente um problemas deveras mais profundo. Não quero contradizer a orientação dada por Jesus no já citado versículo Lucas 18:22. Devemos sim ter o coração e o bolso aberto para auxiliar os desprovidos em seus momentos de necessidade, mas não podemos nos limitar a isso.
A igreja deve ser muito mais que um posto de distribuição de cestas básicas, nossos departamentos de assistência social não podem se limitar a distribuir X cestas e Y agasalhos por mês. Ao agirmos dessa forma simplória criamos pessoas extremamente dependentes, por estarem mergulhados em uma cultura de facilidades e oportunismo, aqueles a quem deveríamos ajudar acabam se prendendo à esmola mensal sem uma visão de mudar sua própria realidade.
A igreja enquanto instituição terrena dever ser orientadora, deve ajudar as pessoas a caminharem por si sós. É eficaz para combater a fome dar alimento, mas é muito mais eficiente dar educação e auxilio para que estes não dependam mais da esmola mensal dada pela igreja. Sem falar no resgate da dignidade que o ajudado terá ao conseguir prover o sustento a sua família.

Acredito firmemente que políticas assistencialistas são válidas como paliativo a curto prazo, mas a longo prazo só servem a líderes que desejam manter seus liderados sob obediência cega e constante. E isso vale tanto para governos quanto para a igreja.

Muitos podem pensar que educação é responsabilidade restrita ao Governo mas, ao contrário disso acredito que é responsabilidade de toda a sociedade, incluindo a Igreja.

Política e justiça social

Este ano ouvimos muito sobre colocar homens de Deus nas diversas esferas do poder governamental. Fiquei triste ao ver que a maioria desses homens de Deus baseou sua campanha em uma representação da igreja da qual não disseram como vão exercer, além de promessas de favores que ouvimos pelos cantos.
Mas espero que o cristianismo tão divulgado por este se revele em trabalho em prol desses que a Igreja tem deixado tão esquecidos nos últimos dias.

Martins


Pingar o BlogBlogs

4 comentários:

  1. Cara, peço primeiramente desculpas por não visitar teu blog com mais frequência, coisa que deveria fazer... por isso vou assinar os feeds e te linkar, assim não esqueço de maneira alguma hehehe

    Texto realmente muito bom, considerar as ações descentralizadas como paliativas é de extrema importância, pois nos faz refletir sobre alcançar a causa de tais problemas...

    ResponderExcluir
  2. Obrigado pela moral.
    O grande problema é que estamos vivendo como os políticos, buscando apenas resultados imediatos sem pensar no que será a longo prazo. Quando se prioriza os números... estamos vendo o que acontece.

    ResponderExcluir
  3. excelente post. que tenhamos força e vergonha na cara pra transformar nossos pensamentos em realidade.

    ResponderExcluir
  4. Realmente Thiago,
    Muitas vezes nos prendemos a discursos idealistas que acabam limitados a ser apenas discursos não gerando ação, como deveria ser.

    Obrigado por sua participação aqui.
    Continue nos visitando e deixando sua opinião.
    Afinal, muitas cabeças pensando juntas é melhor que uma só.

    ResponderExcluir

Mostre o que se passa por sua cabeça. Comente.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...