7 de outubro de 2008

A Música, a Igreja... E muito pano pra manga. - Parte 3


E as outras artes?

Nos artigos anteriores dessa série, apresentei minhas idéias sobre Música Gospel e Música Secular.
Porém o que causa grande polêmica no meio cristão não são as definições acerca desses termos, mas sim a velha pergunta:

Crente pode ou não ouvir música secular?

Para nos guiar rumo a essa resposta, quero apresentar outra pergunta:

Crente pode ou não apreciar diversas formas de arte?

É conhecida de todos a restrição que muitos grupos evangélicos tem acerca da chamada música secular. Em alguns momentos essa restrição é encarada até mesmo como proibição.

Muitos crentes ficariam de cabelos em pé se chegassem à casa de um irmão e se deparassem com este ouvindo os grandes sucessos do Legião Urbana, ou de qualquer outro artista secular. Porém achariam perfeitamente normal se esse mesmo irmão estivesse assistindo à novela da 8h ou o último campeão de bilheteria dos cinemas.

Não consigo concordar com a argumentação dos que rotulam a música secular como demoníaca e depois vão ao cinema assistir filmes recheados dessas mesmas músicas ou, pior, estão todos os dias na frente da TV assistindo aos folhetins também embalados por tal trilha sonora.

Outros usam como argumento o texto de 1 Coríntios 10:31:

“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.”

Porém se esquecem de ler todo o capítulo e fazem uma interpretação limitada e errônea do versículo.
Nessa trecho da carta, Paulo estava exortando o povo acerca da idolatria, e não tentando prender o povo a uma limitação cultural, como vemos hoje sendo feito nas igrejas.

Outros são ainda mais radicais na interpretação e chegam a pensar que devem orbitar em torno da igreja, enquanto instituição. Estes se esquecem que basta a simples sinceridade de coração em termos Cristo como luz de nossa existência para que todas as outras preocupações se tornem pequenas.
Criam demasiadas regras buscando padronizar o pensamento do povo, tentando fazer com que todos tenham o mesmo padrão de pensamento, ou seja, nenhum. Porque é muito mais fácil manipular um povo que aceita tudo o que é dito do que pastorear pessoas como as de Beréia.

Voltando ao tema central do texto, continuo com minha Cabeça latejando com a pergunta que trago desde o início:

Por que só a música?
Por que posso ler um livro do Vinícius de Moraes, mas é pecado ouvir suas músicas?
Por que posso assistir a uma peça de teatro, mas não posso ir a uma apresentação dos Engenheiros do Hawai?
Porque posso ver novela, mas não posso escutar Djavan?
Por que posso ir ao cinema ver a última estréia, mas não posso me atrever a assistir uma apresentação musical qualquer?

E por que só a música contemporânea?
Por que podem tocar a marcha nupcial em casamentos nas igrejas, mas não podem tocar uma bela canção de amor de um artista “não-gospel”.

Por que não podemos apreciar a arte como uma forma de expressão estética, que visa agradar aos nossos ouvidos, olhos e outros sentidos?

Por que querem espiritualizar todos os aspectos de nossas vidas, até mesmo aqueles em que basta a ela ser vida?

Por que?

É tanto porque, que já não se encontra o porquê.

E nem falei de pintura, escultura, fotografia... e tantas outras formas de arte.

Tudo o que vejo são regras e preconceitos padronizando pensamentos e cerceando inteligências. Tentando criar pessoas em currais, as alimentando com uma pseudo-prosperidade e negando a elas seu livre-arbítrio, seu direito de pensar.

Longe de mim querer defender o consumo de lixo cultural, ou o mundanismo. Até porque sei que existe muita coisa ruim sendo produzida e recebendo o nome de música, e isso acontece inclusive dentro do meio cristão.

O que não admito é o uso de rótulos, principalmente quando esses rótulos tem uma origem obscura e uso limitado a alguns segmentos. Quero ter a liberdade de ouvir uma boa música, ou de ler um bom livro independente de quem os produziu.

Estão pregando um evangelho vendendo uma ideologia na qual ser crente é não beber, não fumar e obedecer o pastor. Com isso acabam colocando a Lei acima do Amor.

Muitos querem se vestir de uma roupagem de crente de forma a tentar transparecer para os outros algo que não se encontra dentro de seus corações. Isso é tentar enganar o outro e, principalmente, é enganar a si mesmo.

Vivendo em meio a dúvidas e tendo a Palavra como a única certeza,
Martins

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Leia também os outros posts da Série:

Música - Parte 1 – O Gospel
Música - Parte 2 – O Secular

7 comentários:

  1. Amado, parabens pela Iluminação de seu blog, vou linká-lo no meu, Abs
    Encontro com O Poder - Vida Cristã - Poder e unção

    ResponderExcluir
  2. Paz de Senhor irmãos,

    Sem duvida este é um tema muito polêmico e sua abordagem foi interessante. Porém tenho uma visão um pouco mais “conservadora”. O que observamos hoje nas igrejas é o modismo e a busca incessante em tentar copiar o mundo... Seja na maneira de falar se vestir e claro na musica. Não sou contra rock evangélico, funk evangélico ou qualquer outro estilo musical; são ferramentas de evangelização, porém um som um pouco mais pesado (no meu humilde entendimento) é inadequado a ser tocado num lugar de santidade como o altar do Senhor.
    Nem tudo o que é secular é demoníaco, mas da mesma forma que utilizamos a musica para pregar a palavra o inimigo pode utilizá-la para minar nossas mentes. Deve-mos constantemente rever nossas definições de santidade e se devemos estar na presença de Deus buscando e adorando somente durante o culto.

    Será que estamos influenciando o mundo ou sendo influenciados por ele????

    Peço perdão aos irmão se pareço acido em minhas palavras, mais devemos vigiar para não ser-mos igual ao mundo.

    Deus abençoe a todos.

    Claudio Cesar

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  3. Olá, Graça e Paz, meu nome é Junior, sou católico, participo de um grupo pentecostal chamado carisáticos católicos, mas antes de tudo, sou cristão.

    Uma coisa que achei interessante no texto foi falando em destruir a cultura e padronizar um pensamento nao existente. Triste, devemos ser extremistas contra o pecado, mas lembrando quando Paulo nos alertava sobre as comidas que todas eram puras mas nao deveriamos comer se fosse queda para nosso irmão, ou que fosse algo que escandalizasse. (romanos 14)

    Enfim, que todos tenham a cultura cristã, devemos dançar sim, mas com a alegria de ser um Filho de Deus, como faziam os primeiros povos judeus, dançavam, se divertiam, mas tudo com Deus e a alegria de estar fazendo aquilo sem o pecado.

    Enfim, acho que por enquanto é só, gostei do blog, Graça e Paz!

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  4. ellisa rodovalho peres9 de abril de 2009 11:21

    Toda forma de arte foi criada por Deus!
    crente que que se acha santo demais e não ouve música secular é tudo chato e legalista !
    vamos viver na graça de Deus ...
    vinícus ,djavan , lulu santos , fernando pessoa ,clarice lispector .. enfim.. todos esses escrevem extramamente bem e merecem a nossa atenção e o nosso respeito !

    ResponderExcluir
  5. Sempre tive um certo conflito acerca deste assunto e muitas vezes me fiz a mesma pergunta feita aqui: "Por que não ouvir certas músicas de artistas não evangélicos e assistir diversos filmes que certamente tbm não foram produzidos por evangélicos?"

    Hoje consigo conviver melhor com isso e tento colocar o amor a Deus e ao próximo em primeiro lugar. É muito mais importante agradar a Deus do que aos homens. Se algo que faço entristece um irmão, mais vale estarmos bem, então prefiro me abster por amor.

    O livre arbítrio existe e temos a opção de adotá-lo ou não. Não dá pra misturar livre arbítrio com fazer a vontade de Deus (e isso não tem nada a ver com ser alienado e obedecer tudo que o pastor diga, mesmo que esteja errado!). O coração do homem é enganoso, e o mundo é cada vez mais sutil para nos enganar!

    Enfim, continuo escutando músicas "não-gospel", porém faço filtros e procuro examinar o conteúdo de suas letras, se contradiz a Palavra, descarto!

    ResponderExcluir
  6. Sempre tive um certo conflito acerca deste assunto e muitas vezes me fiz a mesma pergunta feita aqui: "Por que não ouvir certas músicas de artistas não evangélicos e assistir diversos filmes que certamente tbm não foram produzidos por evangélicos?"

    Hoje consigo conviver melhor com isso e tento colocar o amor a Deus e ao próximo em primeiro lugar. É muito mais importante agradar a Deus do que aos homens. Se algo que faço entristece um irmão, mais vale estarmos bem, então prefiro me abster por amor.

    O livre arbítrio existe e temos a opção de adotá-lo ou não. Não dá pra misturar livre arbítrio com fazer a vontade de Deus (e isso não tem nada a ver com ser alienado e obedecer tudo que o pastor diga, mesmo que esteja errado!). O coração do homem é enganoso, e o mundo é cada vez mais sutil para nos enganar!

    Enfim, continuo escutando músicas "não-gospel", porém faço filtros e procuro examinar o conteúdo de suas letras, se contradiz a Palavra, descarto!

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