1 de setembro de 2008

A Música, a Igreja... E muito pano pra manga. - Parte 1

A velha, mas sempre atual polêmica sobre música e cristianismo. Podemos ou não ouvir música secular? Que estilo de música pode ser tocada dentro da igreja?

Em primeiro lugar quero deixar claro aos leitores que não quero apresentar aqui uma solução pronta para este assunto, mas sim abrir um canal de reflexão e discussão sobre o tema.

Gospel, o que é isso?

Segundo a Wikipedia:

Etimologia
Em inglês, "gospel", derivada do Inglês antigo "God-spell" que significa good tidings, ou Good News, em Português, "boas novas".
História
Ainda que o termo, "Música Gospel", possa abranger um campo da Música muito vasto, seus estilos, embora com nomes variados, possuem todos uma mesma essência e raiz---a música cristã negra nos Estados Unidos da América.


No Brasil

No Brasil a música “gospel” desembarcou junto com os missionários americanos. “As músicas claramente não eram as mesmas tradicionais dos grandes corais da tradição Protestante; eram mais simples, mas eram músicas voltadas para uma audiência grande, em grandes galpões ou até mesmo praças públicas

Com a conversão dos brasileiros ao evangelho, estes acabaram incorporando culturalmente os costumes musicais dos missionários. Inicialmente, as músicas tocadas nas igrejas eram exatamente as mesmas que desembarcaram com os americanos. Existia, e ainda existe, grande preconceito quanto ao uso de ritmos brasileiros nas igrejas, e até mesmo contra outros ritmos diferentes do típico gospel americano.

Porém, com o tempo, outros ritmos foram incorporados à música das igrejas (claro que esse processo não foi tão simples, mas isso é tema pra outro post), em conjunto às letras baseadas em temas reigiosos protestantes, e o termo gospel foi adotado pra rotular toda produção artística voltada exclusivamente para o público protestante. Hoje temos tudo gospel, desde Rock até Funk Carioca...

O uso do termo ficou extremamente difundido, hoje tudo o que é voltado para o publico evangélico é denominado como “gospel”.

Porém, e sempre há um porém, a música é a forma de arte mais utilizada hoje nas igrejas e, conseqüente, a que é mais afetada com essa colocação de estereótipos. E este rótulo é hoje utilizado para determinar o que pode e o que não pode ser ouvido pelos crentes. E é este o ponto mais polêmico do tema.

Para muitos crentes tudo o que é “gospel” é bom pois é feito por “pessoas de Deus”, e tudo o que não “gospel” é considerado indigno. Existem inclusive aqueles que bradam aos quatro cantos que toda produção cultural gerada fora dos limites do protestantismo (ou seja, a chamada “secular”) é profana, demoníaca ou consagrada a satanás. A exemplo de algumas igrejas que proíbem até a televisão, muitos grupos evangélicos se fecham dentro dessa “certeza” e sequer dialogam culturalmente com o resto do planeta (poderia usar o termo mundo, mas já imagino a péssima repercussão).

Por hoje paro por, aqui pois o texto está ficando demasiadamente longo, mas quero deixar algumas perguntas para continuarmos a conversa posteriormente:

O que realmente é música gospel?
O que realmente é música secular?
Elas são incompatíveis?

Apenas perguntando,
Martins

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2 comentários:

  1. Sendo música gospel aquela em que "Deus fala", toda música, seja de louvor e adoração ou evangelismo, poderia sim ser chamada dessa forma. O ritmo é uma questão a parte. O que acontece em alguns casos é uma distorção do termo. Porque hoje existe até moda gospel!!!! Outra questão a ser levantada: nós evangélicos tomamos como nosso o termo gospel. Mas, pelo significado da palavra, as músicas de católicos (carismáticos ou não) e judeus também podem ser chamadas de gospel. Eu mesma já ouvi algumas e achei muito convenientes. Por isso antes de julgar por um rótulo, acredito que seja necessário conhecer o conteúdo.
    Já quanto a música secular, seria aquela que não é produzida dentro dos padrões "gospel". Isso a torna um tanto genérica. Há músicas de artistas seculares que falam sobre Deus e seu amor. A questão é: o fato de serem artistas seculares desmerece o conteúdo da mensagem? Eu já vi gente chorando com a música do Belo e do Padre Marcelo. Gente que não conhece a palavra. E aí eles têm um mérito que muitos artistas da chamada "indústria gospel" não têm: eles alcançam um público muito maior. Esse negócio de se trancar na casinha e negar qualquer tipo de contato com o "mundo" exterior vai contra o pricípio bíblico de levar a Palavra de Deus a todos os ouvidos. Quando Deus fala "Ide as nações" Ele não estava dizendo "vá na casa do seu irmãozinho que já é convertido". Se Deus falou por um jumento, nada impede que Ele use ímpios para levar a Sua palavra na incompetência daqueles que foram designados para isso. UI, doeu o calo agora né?! Mas é verdade. Poucos foram os artistas evangélicos que alcançaram a grande mídia. E quando o fizeram - como a Aline Barros que teve uma música sua incluída na novela das oito da Rede Globo - ainda receberam críticas por parte daqueles que ainda acham que devemos viver em um mundo a parte.

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  2. Carol,
    Infelizmente algumas lideranças evangélicas brasileiras ainda tem uma mentalidade muito fechada culturalmente e aceitam tudo o qur leva o rótulo gospel (por pior que seja), desprezando o que não faz parte de seu mundinho. E são essas lideranças tacanhas que fazem com que aconteça o q eu e você estamos vendo hoje: pedras e jumentos falando no lugar do povo de Deus, pois esse está atualmente limitado entelectualmente pelas lideranças provincianas. E como você disse: isso dói no "nosso" calo...

    Abraço fraterno,
    Martins

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